
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Futebol Potiguar (...e eventualmente outros assuntos menos polêmicos, como religião e política)
Tem gente que é desprovida
Da mais tênue sapiência
Sem nenhuma inteligência
Para ser desenvolvida
A mente é combalida
Seu juízo tem cancela,
Cadeado e taramela
Seu raciocínio falha
Quem nasceu para cangalha
Nunca vai chegar a sela
Aquele que discrimina
Alguém pela sua cor
Que julga não ter valor
Pela origem nordestina
É o mesmo que abomina
Quem carrega uma sequela
Ou do idoso não zela
Reservando a migalha
Quem nasceu para cangalha
Nunca vai chegar a sela
O eleitor que se vende
Renuncia o poder
Do direito de eleger
Seu papel não compreende
Por isso não surpreende
Quando ele a urna mela
Vota em galã de novela
Ou outro que não trabalha
Quem nasceu para cangalha
Nunca vai chegar a sela
Mesmo que a atitude
Tenha efeito bumerangue
A tolice tá no sangue
E não permite que mude
Por mais que o sujeito estude
A sandice não debela
E o caráter se revela
Nas asneiras que espalha
Quem nasceu para cangalha
Nunca vai chegar a sela
(Pedro Augusto Fernandes de Medeiros)
PS: O raciocínio da poesia só é válido para asininos humanos. A foto (domingo 29/03) mostra uma dupla de jumentos que largaram a cangalha, passaram pela sela e hoje estão curtindo a belíssima praia de Ponta do Mel.
O homem inventou a roda
Revolucionou o mundo
Encurtando as distâncias
Percorrendo em um segundo
Onde antes só se ia
Com o pensamento fecundo
Arredondou uma pedra
Fazendo a roda primeira
Depois um outro artesão
Esculpiu-a na madeira
Mais tarde a roda de ferro
Subiu e desceu ladeira
Para ajudar no progresso
A roda foi libertada
Saiu do trilho de ferro
Para encarar a estrada
Que era feita de barro
Sinuosa e esburacada
Era tanto solavanco
Com o carro, quase parado
Foi então que se encheu
Um cilindro anelado
Comprimindo-se o ar
O pneu estava inventado
Essa grande descoberta
Permitiu a evolução
Melhorando a freada
Otimizando a tração
Reduzindo os impactos
Amortecendo o chão
Hoje olho um avião
Que sem pneu não decola
Os veículos de estrada
Que tem uma outra bitola
Ou os carros de corrida
Que quase do chão descola
Olhando a nossa volta
Se percebe a importância
O papel essencial
E a grande relevância
Que o pneu representa
Para qualquer circunstância
Mas é triste perceber
A vã genialidade
Que desenvolveu a roda
Demonstrando habilidade
Não faz esforço nenhum
Para limpar a cidade
Abandona no monturo
Ou no terreno baldio
Esse objeto nobre
É desprezado no rio
Não restando o que fazer
Com quem tanto nos serviu
Deu apoio a polícia
Equipando o camburão
Tá no carro do bombeiro
Que o leva à missão
Transporta o retirante
No regresso ao sertão
O pneu que salvou vidas
Rodando na ambulância
E o que levou riquezas
Transportando a pujança
É refúgio de mosquito
Graças a ignorância
Quem teve inteligência
Com o seu dom de criar
Demonstra nenhum empenho
Para poder reciclar
Abandonando ao léu
Na hora de descartar
Depois de tanto servir
Merecia melhor sorte
Quem aproximou pessoas
Rodando do sul ao norte
Hoje só serve a dengue
Sendo berçário da morte
É o homem no espelho
É o espelho do descaso
O descaso com o futuro
É o futuro ao acaso
O acaso guiando o mundo
O mundo no fim do prazo
Totalmente indefeso
No ventre da inimiga
O corpo que o abriga
Por ele só tem desprezo
Deveria estar ileso
No seu desenvolvimento
Recebendo o provimento
Dentro de uma fortaleza
Com infinita nobreza
E total desprendimento
Tendo outras opções
Pra evitar gravidez
Se pratica a insensatez
Na maior das agressões
Um covil de leões
É o corpo infanticida
Que põe fim a uma vida
Em vez de a defender
Soube muito bem fazer
Arranje outra saída
Sem a proteção materna
Não lhe resta alternativa
Solução definitiva
Dentro da visão moderna
Um crime que não consterna
Quem devia só cuidar
Se dispõe a praticar
O aborto ilegal
Exacerbação do mal
E covardia sem par
Não há justificativas
Para uma barbárie dessas
Atitude que confessa
Nossa força destrutiva
Em uma ação furtiva
Que o feto predestina
A ligação vitalina
Pois o ser que é vitimado
Além de estar desarmado
Não vive sem a assassina